45 minutos foram suficientes

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

Quem somos? Para onde vamos? O torcedor está desnorteado e com essas perguntas existenciais enchendo a cabeça, não é para menos, o Cascavel foi engolido no primeiro tempo, e vou usar os 15 minutos de intervalo para já dizer o óbvio, não preciso ver a segunda etapa, rever os melhores momentos ou fazer uma análise mais aprofundada do jogo e do campeonato estadual que termina aqui. Tais análises foram feitas durante todo o campeonato e nada mudou. O primeiro tempo é mais uma amostra da instabilidade da equipe.

O jogo começou bom para o aurinegro, em um minuto e meio foram duas chances desperdiçadas, mas a pressão continuou. O ataque parecia se movimentar com intensidade abrindo espaços na defesa adversária, o meio de campo pressionava a saída de bola rival, as coisas pareciam ser promissoras, porém a lá vem a montanha russa.

Em um lance bobo, um pênalti foi dado de presente ao adversário que abriu o marcador, o que aconteceu depois desse gol foi uma tragédia. Sem motivação e mais desesperado, o Cascavel se lançou de forma desordenada ao ataque e a vida do Maringá ficou ainda mais fácil, e passou a encarar uma defesa sem organização, perdida e sem forças para reagir.

O atropelamento se assemelhou ao que aconteceu no estádio Olímpico contra o time de aspirantes do Athletico, o adversário chega com facilidade ao gol enquanto o ataque cascavelense sofre na criação, abusando de cruzamentos errados e troca de passes carregadas de ansiedade, que quase sempre terminam nos pés dos marcadores rivais.

O Cascavel não existiu depois do gol sofrido, o time se entregou, não por não querer lutar, mas simplesmente por não ter forças. O Maringá, consciente da fraqueza do adversário, vendo o Cascavel cambaleando no ringue, não teve pena e fechou o primeiro tempo com um sonoro 3 a 0 “fora o baile”.

O time está irreconhecível, após o confronto com a Ponte Preta na copa do Brasil nada mais funcionou, exceto alguns minutos do segundo tempo contra o Athletico e os primeiros 10 minutos em Tocantinópolis, em Maringá o início traria alguma esperança se os jogos do Cascavel não fossem tão óbvios, a derrota não trouxe nenhuma novidade, apenas mais tristeza e dúvidas sobre o futuro.

Os problemas crônicos do Cascavel se acentuam a cada partida, é como uma doença não tratada que se torna mais agressiva com o passar do tempo, as sequelas estão aí: eliminação na copa do Brasil e eliminação nas quartas de final do campeonato Paranaense.

É muito pouco para o Futebol Clube Cascavel que chegou entre os quatro melhores no estadual por dois anos seguidos, que na última temporada venceu os três grandes da capital e conseguiu uma vaga na final do estadual em uma partida épica, talvez a maior da história do clube. Agora, pouco tempo depois, o que vemos é um time apático e desmotivado. As respostas precisam vir para a disputa da série D, a crise é real e precisa ser contida.

Precisei de apenas 45 minutos para concluir o texto, o segundo tempo é apenas protocolar, apenas uma regra da FIFA. O jogo terminou, o campeonato paranaense também, é momento de juntar os cacos e se reinventar. Chega de obviedades, não foi assim que o Cascavel chegou onde chegou.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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