A montanha-russa

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

A primeira fase do campeonato paranaense chegou ao fim, o Cascavel não conseguiu conquistar o almejado G-4 e irá enfrentar o Maringá, jogando a primeira partida em casa e decidindo a vaga no norte paranaense. A derrota para o Athletico sintetizou em 90 minutos toda a primeira fase do FC Cascavel. O aurinegro viveu uma montanha-russa na primeira fase, antes do inicio da competição o torcedor mais perspicaz tinha alguma preocupação com a extensão do elenco.

Já na semana da estreia que não aconteceu contra o Rio Branco, a torcida estava otimista com o inicio da competição jogando logo duas vezes consecutivas em casa. Na estreia de verdade contra o União, o primeiro tempo foi ruim e as coisas só entraram nos eixos no meio da segunda etapa, garantindo um triunfo importante jogando em casa contra um adversário que terminaria a competição rebaixado.

Depois foi a vez de fazer dois jogos fora de casa e a paulada foi forte. Primeiro um empate feio e sem graça jogando em “campo neutro” contra o Cianorte. Já em Ponta Grossa a equipe foi atropelada pelo Operário, uma derrota que levou o torcedor para o extremo pessimismo.

Contra Londrina e Paraná novamente o torcedor se viu animado, primeiro uma vitória convincente contra o LEC, em um jogo dominante em que o adversário não teve quaisquer chances. O confronto contra o Paraná Clube, outro clube que terminaria rebaixado, foi mais difícil do que se esperava, porém o golaço de falta de Mikael Doka no apagar das luzes trouxe mais otimismo para o torcedor naquela noite, que com certeza irá permanecer na memória por bastante tempo.

Os confrontos que vieram a seguir mantiveram as coisas no mesmo patamar, um bom empate contra o Coritiba no Couto Pereira, uma vitória sofrida contra o bom time do São Joseense e um empate contra o Azuriz em Pato Branco, jogo que antecedeu a histórica vitória contra a Ponte Preta na Copa do Brasil.

Para encerrar seus torturantes jogos fora de casa, o Cascavel foi até Maringá e saiu derrotado em um jogo pobre que foi manchado pela violência fora de campo contra a delegação do FC Cascavel.

Agora cá estamos no jogo que encerrou a primeira fase, o clube conseguiu chamar o torcedor, unindo a promoção ao bom rendimento do time em casa. A torcida compareceu em peso ao estádio Olímpico em uma tarde quente, o sol não deu trégua durante todo jogo e a constante falta de água potável no estádio Olímpico regional só piorou ainda mais a experiência de quem levou a família, amigo ou até mesmo de quem foi sozinho ao estádio.

Dentro de campo, vimos um “remake” da tragédia contra o Cianorte na série D do ano passado, o Cascavel foi engolido na primeira etapa, quem estava no estádio custou a acreditar no que via. Foi fácil atacar o Cascavel, um primeiro tempo repleto de falhas não foi salvo sequer pelo golaço de William Gomes.

A defesa estava desnorteada, era apenas um bando de jogadores correndo atrás do ataque rubro negro. Os gols são assustadores quando se vê pelos ângulos da televisão, um buraco entre o meio de campo e a defesa, não havia zona defensiva, os zagueiros subiam e deixavam o gol totalmente exposto.

O ataque não funcionou, a ansiedade dos jogadores era visível, o que impossibilitava a criação de qualquer ataque perigoso, em suma o FC Cascavel não existiu na primeira etapa e desceu para os vestiários carregando um assombroso 4 a 1 nas costas. No segundo tempo, a montanha-russa voltou “a subir”, com um time mais agressivo e mais amigo da bola as coisas começaram a funcionar mesmo que através de trancos e barrancos.

Com um time mais organizado não foi tão difícil dominar o já cansado time de aspirantes do Athletico, após o primeiro gol de pênalti marcado por Robinho aos 9 minutos da segunda etapa o torcedor parecia pressentir o milagre e inflamou o estádio Olímpico. Aos 29 minutos outro pênalti a favor do aurinegro e novamente o batedor oficial Robinho estufou as redes, o empate parecia questão de tempo, mas foi aí que montanha-russa começou a descer novamente.

Carlos Henrique em campo aos 32 minutos e como já é de costume pouco fez na partida, teve dificuldades para dominar a bola, não ganhou disputas no alto e não pressionou a defesa adversária. Era para ser somente um jogador a menos em campo novamente, porém aos 45 minutos da segunda etapa outro pênalti foi assinalado e por motivos insondáveis pelo ser humano, por razões desconhecidas pelos céus e a terra o escolhido para bater o pênalti foi ninguém menos que o criticado Carlos Henrique que acumulou vaias em todos os jogos que esteve em campo no estádio Olímpico.

Não dá para entender como a bola chegou até seus pés para a cobrança daquele pênalti, da mesma forma que o roteirista da partida contra o Paraná construiu um filme dramático com um final feliz, o roteirista deste jogo contra o Athletico nos “brindou” com uma fantástica “comédia pastelão”.

Carlos Henrique deu uma bicuda na chance do empate, uma cobrança patética que ficará na cabeça do torcedor por anos, morando muito provavelmente junto com o histórico pênalti perdido por Ricardo Lobo contra o Coritiba.

O jogo acabou ali para boa parte da torcida que deixou o estádio em silêncio e talvez até com alguma vontade de rir de desespero depois de tudo o que viu. A montanha-russa da primeira fase parou e infelizmente com o Cascavel por baixo. Agora chegou o momento das decisões, fase final do estadual e jogo decisivo pela Copa do Brasil. O time que em certos momentos pareceu se preservar para os grandes jogos tem que aparecer novamente: é tudo ou nada.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

Artigos Relacionados

Últimos Artigos