Após 2022 com mais erros que acertos, Cascavel precisa repensar muita coisa para 2023

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

A temporada de 2022 do Cascavel acabou no último sábado (31). Jogando fora de casa, a Serpente conseguiu segurar um empate com o Paraná Clube, teve a chance da classificação nos pés de Gama durante os pênaltis, mas sucumbiu ao Tricolor da Vila, deixando a Série D ainda na 2ª fase. Sem competições pra disputar no restante da temporada, a equipe já começa o planejamento para 2023, e muita coisa precisa ser mudada em relação ao que foi 2022.

O primeiro ponto de mudança tem de ser o planejamento de contratações para a temporada. O clube deve ter uma debandada grande de jogadores, e poucos atletas devem ficar para o próximo ano. O principal desafio é encontrar jogadores que se complementem e consigam encaixar no estilo de jogo do treinador, o que aconteceu poucas vezes nesta temporada. A maioria dos nomes anunciados não conseguiu demonstrar o futebol prometido, e deixarão o Cascavel sem boas lembranças para a torcida.

Na área técnica também deve e há de ter mudanças. Tcheco, que fez um ótimo 2021 à frente da Serpente, não conseguiu repetir a dose em 2022 e muito provavelmente deve deixar o clube. É nítido que o ciclo do treinador em Cascavel já se encerrou, e as três eliminações em 2022, em que era favorito em todas, deixa isso ainda mais evidente.

A teimosia de Tcheco de apostar em determinados jogadores que não vinham bem e em um esquema de jogo lento, sem profundidade, foram as principais críticas do torcedor. E com razão. Em nenhum momento dá pra se dizer que o Cascavel jogou bem na temporada. Até houve jogos interessantes, como contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil e contra o Marcílio Dias na Série D, mas foram atuações pontuais, que não tiveram sequência.

Mas uma das principais mudanças tem de acontecer na metodologia e visão de futebol da diretoria do Cascavel. Não sou expert em futebol, mas tenho conhecimento o suficiente para dizer que a Serpente Aurinegra tem uma diretoria que pouco entende do riscado, e não tem criatividade principalmente na hora de contratar. Muito dos reforços que chegaram por aqui, vieram com o “nome”.

Um exemplo bem claro é o de Samuel, que foi anunciado com pompa de goleador salvador da pátria, por ter feito o gol do acesso da Aparecidense na Série D de 2021. Pois bem, o atacante atuou em apenas 17 jogos, quase todos vindo do banco, marcou dois gols e não deixou nenhuma saudade na torcida cascavelense, quando deixou a Serpente rumo ao futebol de Malta.

Tiago Luís é outro que chegou ao Cascavel cercado de expectativas, por ter sido tratado lá em 2007 como “o novo Pelé”, quando começou na base do Santos. Por aqui fez nove jogos, nenhum gol e apenas uma atuação de destaque, justamente contra o Marcílio Dias, na partida citada acima. O atleta provavelmente deixe o clube do jeito que entrou, sem marcar gols, o que já o persegue desde 2018, última vez que anotou um tento na carreira.

Há também outros nomes que chegaram por aqui cheios de expectativas e não renderam, como o próprio Victor Daniel, que só teve dois jogos mas em ambos perdeu chances claras de gol, que poderiam ter dado a classificação ao Cascavel; Núbio Flávio, Alex Nemetz, Michel, Carlos Henrique… Enfim, vários nomes.

Por fim, é necessário deixar de lado o extracampo e se voltar para o que acontece dentro das quatro linhas. Nenhuma “Nota Oficial” contra a arbitragem vai trazer pontos ou a classificação de volta para o Cascavel. Não adianta “jogar pra torcida”, algo que tem que ser resolvido entre o clube e a CBF. Ficar emitindo “notinhas”, é só, de certa forma, um atestado de incompetência de um time que não consegue marcar, mesmo acumulando 1000 chances por jogo. O Cascavel pode e deve fazer mais que isso…

Bruno Rodrigo
Jornalista formado pela Univel. Repórter no Grupo Tarobá de Comunicação e co-fundador do De Prima PR.

Artigos Relacionados

Últimos Artigos