Batalha nova, adversário antigo

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

A primeira fase da série D enfim acabou, depois de quatorze longas jornadas a fase de grupos chegou ao fim! O Cascavel com uma campanha instável se classificou com um terceiro lugar que pode ser fonte de comemoração ou decepção, dependendo do ponto de vista e do estado de espirito do observador. Com apenas dois pontos de distância para o líder, a terceira colocação parece um prêmio de consolação se levarmos em conta as duas derrotas em casa. A fase inicial da competição nacional foi apenas uma síntese do ano aurinegro que não empolgou em nenhum momento na temporada, com enormes dificuldades para emplacar boas partidas consecutivas, sempre deixou a desejar.

A eliminação vexatória no estadual, somada à eliminação na Copa do Brasil em uma partida em que o Cascavel apenas assistiu o adversário jogar, distanciou o torcedor que em momento nenhum “comprou a briga” pelo acesso à série C e compareceu pouco ao estádio olímpico pela série D. As partidas no frio intenso ou debaixo de chuva também não ajudaram a situação a melhorar. A performance também não deu sinal de melhoras em boa parte da competição, a única boa partida no “primeiro turno” foi na vitória contra o Caxias. As duas derrotas consecutivas para o Azuriz deixaram o torcedor ainda mais hostil e pessimista, porém as últimas rodadas trouxeram esperanças com três boas exibições. Em última análise, a primeira fase foi uma montanha russa, como foi 2022 até agora.

O adversário da série D é o conterrâneo Paraná Clube, um adversário “indigesto” por conta de sua tradição histórica, mas que vive um período conturbado enquanto instituição, acumulando rebaixamentos ano após ano e tem como sua última esperança de calendário cheio em 2023 um acesso para a série C, essa pressão pelo resultado do lado tricolor pode ser benéfica para o Cascavel.

A tradição do adversário e o fato de poder decidir em casa, com certeza, contam a favor do tricolor, mas a mesma tradição é a causadora da “obrigação” de passar pelo Cascavel, o retrospecto recente entre as equipes também conta a favor do Futebol Clube Cascavel que venceu os últimos três confrontos contra a gralha azul, incluindo uma vitória em Curitiba em 2020.

No geral, o confronto entre as equipes está empatado com três vitórias para cada lado e dois empates nas oito partidas que travaram até então desde o ano de 2015. Agora a história é diferente, se trata de uma partida eliminatória e em uma competição de nível nacional. O Paraná deve continuar levando os bons públicos que têm sido comuns durante a série D, o Cascavel tem a chance de promover o confronto contra um adversário conhecido do “grande público” e também levar bastante torcedores na partida inicial da batalha por uma vaga nas oitavas de final. Com o elenco praticamente completo, a possível volta de Lucas Batatinha, Tiago Luís em plenas condições e a chegada de Victor Daniel com certeza colocam o Cascavel em outro nível. Se somarmos estas coisas aos bons desempenhos de André Luiz temos um time robusto e boas esperanças para a fase decisiva da série D.

Claro que em uma competição tão difícil e parelha quanto a série D é impossível apontarmos favoritos. A eliminação do próprio Cascavel na competição ano passado é um grande exemplo do quão traiçoeiro pode ser o campeonato. De um lado o novato querendo seu lugar ao sol e do outro um grande tentando se reerguer, tirando forças sabe-se lá de onde. Só por se tratar de uma eliminatória nacional já não seria “só mais um jogo”, mas quando analisamos com calma o confronto fica evidente o tamanho que essa partida terá.

O Cascavel vê no acesso um sonho, o Paraná a sobrevivência. Em campo serão onze contra onze tentando colocar a bola dentro do gol do adversário ou ao menos tentando manter sua meta intacta. Mais um capítulo da história do futebol Cascavelense será escrito, que seja mais um capítulo feliz, mas e se não for? Bem, teremos tempo de sobra para reclamar até janeiro. Como não temos o dom da presciência e por conseguinte não temos como saber o fim desta história, vamos tentar fazer parte dela indo ao olímpico apoiar a serpente nos primeiros noventa minutos da batalha. Vocês estão prontas, crianças?

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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