Classificação e um bocadinho de esperança

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

O confronto com o Marcílio Dias se desenhou durante a semana como uma grande decisão, ao menos para o lado do Cascavel que com uma vitória carimbaria o passaporte para a segunda fase da série D. No lado catarinense a situação era um tanto diferente, com poucas esperanças de classificação a equipe já começou a se desmanchar, durante a semana jogadores importantes deixaram a equipe, que veio à Cascavel com apenas 6 reservas. Independente da situação do lado de lá, o esquadrão aurinegro chegou à partida com a pressão por uma vitória. Os últimos resultados, a falta de gols e principalmente a falta de pontaria foram preponderantes para enxurrada de críticas que sofreram durante as últimas semanas.

A tarde no estádio Olímpico Regional foi ensolarada e o futebol do Cascavel também foi um tanto iluminado, aquela nuvem negra e aqueles ventos revoltosos das últimas partidas não estiveram presentes, até o mesmo o bendito sofrimento que é figurinha carimbada nos jogos do Cascavel em 2022 não foi visto no estádio. Desde o apito inicial os comandados do professor Tcheco foram agressivos, ofensivos e como se diz por aí “queriam jogo”.

Os espaços surgiram naturalmente por conta da dificuldade de organização da defesa catarinense, o ataque cascavelense com uma partida inspirada de Lucas Coelho que mostrou vontade e qualidade para fazer o tão criticado ataque do Cascavel voltar a funcionar. Aliás, o ataque ainda sofre com as más decisões no terço final, os erros na saída de bola também persistem, porém é importante ressaltar que nesta partida os erros diminuíram e o resultado foi bastante claro quanto a isso.

O  Cascavel foi dominante, jogou com segurança e foi premiado ainda no primeiro tempo quando Jacy, que iniciou a jogada com um roubo de bola, acertou um cruzamento rasteiro para Lucas Coelho que de letra deixou a bola pronta para Rodrigo Alves estufar as redes e abrir o marcador. O primeiro tempo não poderia ter outro resultado, com um bom volume de jogo, os donos da casa conseguiram se impor daquela forma que o torcedor esperava ver desde o fatídico jogo contra a Ponte Preta e desceu para o vestiário com a vantagem.

A segunda etapa começou ameaçadora, logo no primeiro minuto André Luiz (sempre ele!) impediu o “marinheiro” de empatar a partida, todos nós sabemos o caos que se instalaria com um gol do adversário logo no início do segundo tempo, não é? Entretanto, para todos já é de conhecimento de todos que o “se” não joga. Aos 5 minutos da segunda etapa, depois de mais um roubo de bola e velocidade na troca de passes foi a vez de Rodrigo Alves retribuir o favor e deixar Lucas Coelho com a faca e a cenoura na mão (ou a alface) para fazer o segundo e correr para o abraço. Importante destacar a velocidade, uma reclamação recorrente até então era justamente a falta de velocidade na transição ofensiva. Raramente o Cascavel se beneficia de contra-ataques, a defesa dos adversários sempre tem tempo de sobra para se reorganizar, e na partida contra o Marcílio Dias os três gols saíram justamente de jogadas em velocidade.

O terceiro gol foi um contra-ataque de manual, Léo Itaperuna que nessa temporada sofreu e sofreu muito para marcar seus golzinhos, enfim voltou as balançar as redes dando números finais ao confronto e garantindo o Futebol Clube Cascavel na segunda fase da competição nacional.

A partida foi muito boa, e entra no rol das grandes partidas da temporada, agora temos quatro partidas! Com uma estratégia direta e objetiva o time funcionou, vale dizer que no jogo passado contra o São Luiz de certa forma a equipe também funcionou, criou e encontrou espaços, mas pecou na finalização.

No confronto contra a equipe de Itajaí as coisas foram diferentes, o ataque funcionou, as transições funcionaram e isso traz um bocadinho de esperança numa temporada bastante difícil. Agora a missão é conseguir uma posição melhor na tabela, ficar no top 2 seria importantíssimo para a continuidade da competição, decidir o confronto em casa e fugir de São Bernardo e Paraná, ao menos nesse primeiro momento, não seria nada ruim.

Por isso o confronto da última rodada contra o Próspera não pode ser tratado como mera formalidade, o adversário da vez já está eliminado, teve uma temporada caótica e não deve oferecer grande resistência, ou seja, uma grande chance para vencer bem e dar aquela injeção de ânimo no torcedor para o mata-mata. Reconquistar a torcida é parte importantíssima para a continuidade da competição, a conexão entre torcedor e time será essencial na luta pelo acesso.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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