E agora, qual a desculpa?

Foto: Daniel Malucelli/Cascavel

O jogo contra o Maringá no estádio Olímpico Regional marcou o início de uma série de decisões para o Futebol Clube Cascavel. Válido pelas quartas de final do campeonato Paranaense, antecede o confronto com o Tocantinópolis pela Copa do Brasil, jogo que pode colocar a equipe aurinegra na terceira fase da competição nacional, um feito gigantesco para o clube e para a cidade de Cascavel.

Entretanto, o que se viu nesse início das decisões foi decepcionante Esperava-se um time agressivo como o que entrou em campo contra a Ponte Preta, mas o visto foi aquela mesma postura frequente no campeonato Paranaense. Acostumado a resolver os jogos nos minutos finais, desta vez a magia dos acréscimos não apareceu para acudir a equipe depois de mais uma atuação fraca.

A partida já começou com o Maringá levando mais perigo em uma cobrança de falta que Heverton conseguiu impedir que terminasse em gol com uma boa defesa. A linha defensiva Maringaense estava alta dando bastante espaço para o Cascavel aproveitar em velocidade as costas da defesa, porém a lentidão da transição ofensiva dava tempo mais que suficiente para que o adversário fizesse a recomposição.

Não havia aproximação entre os jogadores de lado de campo o que tornava o ataque cascavelense presa fácil para os defensores adversários, não existiu triangulações, tabelas ou qualquer outro tipo de artificio que tirasse a defesa do Maringá da zona de conforto. O meio-campo novamente se escondia atrás das linhas de marcação do adversário, os atacantes só recebiam a bola de costas para o gol tornando a concretização da jogada ainda mais difícil.

No primeiro tempo do jogo, o Cascavel não levou qualquer perigo, a posse de bola era sempre passiva demais, lenta demais… O segundo tempo foi um “replay” do primeiro, porém com uma dose alta de tensão e angústia, a vitória era imprescindível, afinal o jogo da volta além de ser fora de casa (e todos sabemos que o rendimento da equipe fora de casa beira o desastre), também conta com as dificuldades que serão causadas pela longa viagem para Tocantinópolis.

O Maringá jogava com a tranquilidade comum de quem irá decidir o confronto jogando ao lado da sua torcida, mas mesmo assim não abdicou do jogo e buscava o gol. As aproximações aconteciam timidamente do lado aurinegro e foi assim que o Cascavel chegou com perigo real pela primeira vez com Jajá. Porém, quem continuou a levar algum perigo foi o Maringá e pouco depois de quase abrir o placar numa bola alçada na área, Mirandinha abriu o placar para os visitantes.

Daí em diante o que se viu foi um time desesperado e ansioso, o gol de empate não veio e o Cascavel que antes era imbatível em casa perdeu pela segunda vez consecutiva em seus domínios. Não há muito o que se falar sobre a partida, já falei até demais sobre um jogo que não teve nada de diferente do que já nos acostumamos a ver nessa temporada.

As dificuldades são as mesmas, as falhas se repetem exaustivamente e os jogos continuam sendo ruins de se assistir. O Cascavel não é objetivo, não é agressivo e não acelera, parece estar subindo uma ladeira em cada ataque, a velocidade só aparece quando as coisas ficam ruins, nos acréscimos ou depois de levar um gol.

Um observador mais atento já notava alguns problemas extremamente relevantes desde o início do campeonato, mas até então quando as coisas não davam certo, um mar desculpas eram utilizados para relativizar as más atuações.

Na derrota contra o mesmo Maringá lá norte paranaense muito se falou de uma “ressaca” pós Copa do Brasil, contra o Athletico estava calor demais, sol demais… Esses dois jogos custaram ao Cascavel uma vaga entre os quatro melhores da primeira fase que possibilitaria decidir o confronto das Quartas de final em casa.

O jogo da volta lá em Maringá vale muito, além de uma vaga na semifinal, pode estar em jogo também uma vaga na série D 2023 e na Copa do Brasil do mesmo ano. Perder essas vagas seria uma catástrofe, a semana vai ser pesada, trará mais desafios e decisões, é necessário mudar para não ser presa fácil, os erros, as falhas e as dificuldades do time não são novidade alguma. Hoje, jogar com o Cascavel é jogar contra um time óbvio e sem criatividade. E agora? Vão mudar ou continuar buscando desculpas?

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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