Faltou juízo

Tcheco tem flertado com a sorte e com a falta de juízo. (Foto: Carlos Chiosi/Movimento e Foco)

Uma definição bem coloquial sobre a partida poderia ser “mais sorte do que juízo”, mas confesso que não me agrada falar de sorte numa partida de futebol, entretanto é claro que juízo faltou. Por se tratar de um confronto contra o lanterna do grupo, esperava-se mais do Cascavel.

A escalação inicialmente pareceu até um tanto agressiva, dentro das quatro linhas em vários momentos os dez jogadores de linha pisavam no campo ofensivo, França ficava entre os zagueiros em alguns momentos para dar mais sustância para a fase de construção, porém a defesa não parecia muito preparada para lidar com espetadas em velocidade do moleque travesso de Jaraguá.

André Luiz foi novamente o nome do jogo, aliás é difícil encontrar uma partida na competição em que o goleiro não foi o melhor da partida. A defesa não fez um bom jogo, insegura na construção e desatenta nas transições defensivas, em muitos momentos contou também com a falta de qualidade do adversário para não sair em desvantagem ainda no primeiro tempo.

Ofensivamente o Cascavel foi tímido, Robinho não foi muito ativo na criação, essa falta de criatividade dos meios campistas fez Lucas Coelho sair da área para tentar ajudar, Rodrigo Alves que na primeira etapa foi onipresente também tentou trazer alguma luz para aquele setor do campo congestionado.

O segundo tempo seguiu na mesma toada, o Juventus continuou levando perigo, continuou assustando os 1.111 torcedores que foram ao estádio Olímpico já trazendo uma boa dose de pessimismo. Não é para menos, o Cascavel chegou à partida com três jogos sem vencer e duas derrotas consecutivas.

Aos 30 minutos da segunda etapa, com a entrada de Léo Itaperuna no lugar do volante França, o Cascavel decidiu partir para o ataque, a essa altura o Juventus já tinha abdicado do jogo e “estacionado o ônibus” em frente ao gol, nem as transições em velocidade aconteciam mais, os catarinenses não queriam nem saber da bola.

Porém aos 35 minutos o jogo muda totalmente de figura, após um cruzamento de Willian Gomes, Robinho cabeceia em cima do goleiro e no rebote estufa as redes. Só que de maneira inacreditável, absurda, grotesca, ridícula, cômica… O assistente apontou impedimento. Em uma situação de clara desconcentração do “bandeirinha”, a confusão se instaurou, minutos depois o dono do apito anulou a marcação do bandeira e deu o gol, daí em diante as famosas “cenas lamentáveis” que já fazem parte do cotidiano do nosso futebol tomaram conta do gramado e como de costume teve até polícia militar em campo.

A paralisação durou alguns intermináveis minutos, a má sinalização da arbitragem deixou todos confusos sobre os cartões distribuídos do meio daquela escaramuça. Quando o jogo foi reiniciado, quem não jogou foi o Cascavel que novamente contou com a qualidade do André Luiz e também com má qualidade do ataque adversário para sair de campo com a vitória. Foi aquele 1 a 0 feio e sem graça, com certeza não é o tipo de presente que alguém gostaria da dar ao amor de sua vida nesse dia dos namorados.

É dito por aí que para vencer é preciso saber sofrer, mas creio que o torcedor do Cascavel já sofreu demais em 2022, sofrer contra o lanterna do grupo, equipe rebaixada no estadual e que até então não fez um jogo convincente na temporada não é muito fácil de compreender, a única explicação plausível é o masoquismo, o time sofre mesmo quando não precisa, mesmo quando o sofrimento está lá longe.

Hoje o sofrimento queria ter ficado em casa envolto em cobertores assistindo filmes ruins, mas foi obrigado a comparecer novamente ao estádio Olímpico, em breve poderá pedir ao Futebol Clube Cascavel que assine sua carteira de trabalho, é uma presença tão constante nos jogos em Cascavel quanto a polícia militar em campo. O sofrimento é o 12º jogador da serpente aurinegra, mas é um jogador imprevisível e traiçoeiro, por isso é falta de juízo deixa-lo entrar em campo com tanta regularidade assim.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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