Fragilidades do Cascavel são novamente expostas pelo letal Azuriz

Foto: Daniel Malucelli/FC Cascavel

Que o Cascavel é uma equipe que erra muito todo mundo já sabe. E que o Azuriz é uma equipe que se aproveita muito dos erros adversários, todo mundo também já sabe. Essa foi a tônica do segundo confronto consecutivo entre as equipes, que aconteceu no último domingo, no Estádio Os Pioneiros, em Pato Branco. Novamente, quem levou a melhor foi o time que soube se aproveitar das chances que teve, o Azuriz.

Vamos falar primeiro do lado que se deu mal, o Cascavel. A Serpente Aurinegra entrou bastante modificada para o confronto de domingo, devido a suspensões e lesões.

A zaga, por exemplo, foi quase toda modificada, já que Itallo e Fernando estavam suspensos. Tcheco, que não ficou na beira do campo também devido a suspensão, apostou em França e Jamerson para compor a defesa, o que não deu muito certo, mas isso é papo pra daqui a pouco.

No meio campo, mais mudanças. Gama, que vinha fazendo boas partidas, foi sacado pelo treinador, que adiantou Michel e trouxe Doka novamente para a “lateral direita”.

No ataque, mais mudanças. Rodrigo Alves e Lucas Batatinha, que vinham sendo titulares, não foram relacionados. Lucas se recupera de lesão, já Rodrigo Alves não teve o motivo de sua ausência informado pelo clube. Itaperuna e Lucas Coelho ficaram responsáveis pelo ataque cascavelense.

Do lado do Azuriz, apenas uma mudança em relação ao time que entrou em campo em Cascavel, Rone ocupou o lado esquerdo do ataque no lugar de Edson. Além disso, Guarapuava machucado não regressou ao time, com Fornari novamente sendo titular.

O jogo

Quem assistiu só os primeiros 10 minutos de partida pensou que o Cascavel venceria o confronto com certa facilidade. A Serpente Aurinegra armou uma “blitz” pra cima do Azuriz, desperdiçando pelo menos quatro chances de abrir o placar nesse comecinho de partida.

Depois do começo forte, o Cascavel foi perdendo o fôlego aos poucos, e apesar de manter a posse da bola, passou a agredir cada vez menos o Azuriz, que esperava pelo momento certo de dar o bote.

Aos 38 esse bote veio, Jamerson levantou na área, os dois zagueiros fecharam o meio e Robinho apareceu por trás da zaga para conferir de cabeça. Simões que acompanhava o atacante do Azuriz, não conseguiu subir no lance.

Quatro minutos depois, mais um do Azuriz, dessa vez com Mamute, que recebeu na entrada da área após boa jogada de Rone e chutou forte no ângulo de André Luiz que nada pode fazer. Detalhe para a marcação frouxa em cima do atacante, que teve todas as condições de finalizar para o gol e anotar o segundo do time de Pato Branco.

Agora imagina aquela pessoa que assistiu os primeiros 10 minutos de blitz do Cascavel, voltando ao final do primeiro tempo pra ver a partida? Pois é, as estatísticas e modelos de jogo muitas vezes enganam. Mas depois falamos sobre isso também, vamos ao segundo tempo.

A segunda etapa começou da mesma forma que foi a primeira, com o Cascavel em cima buscando um gol, para tentar correr atrás do placar. E esse gol veio logo aos quatro minutos, com Lucas Coelho, que marcou seu primeiro pela Serpente Aurinegra após falha defensiva do Azuriz. Algo raro de se ver.

Mas depois do gol o Cascavel “morreu”. Sem conseguir manter o ritmo forte, a equipe cascavelense não conseguiu criar e começou a dar cada vez mais espaços para o Azuriz, que soube se aproveitar.

Na primeira oportunidade clara de contra-ataque rápido o Azuriz matou o jogo. Léo Indio recebeu a bola no meio campo e avançou, puxando toda a marcação dos zagueiros, enquanto Vieira fez o famoso “X” e saiu sozinho na cara de André Luiz, para apenas empurrar ao gol.

Já cansado e sem muitas forças, o Cascavel ainda conseguiu diminuir com o garoto Cavani, que de cabeça marcou seu primeiro gol como profissional. Mas foi só. Vitória do Azuriz por 3 a 2 e liderança isolada do grupo para o time de Pato Branco.

Há quem diga que o resultado foi injusto em relação ao apresentado dentro de campo. Costumo não discordar desses casos, até porque cada um tem uma visão diferente de futebol.

Mas dentro da proposta de cada time, o Azuriz foi novamente mais efetivo e fez o que se propõe a fazer em praticamente todas as partidas. Não se expôs e aproveitou dos erros adversários.

Na minha conversa com o Daitx, perguntei como se aproveitar de um time que erra muito, como é o caso do Cascavel. Acho que a resposta está nessas duas vitórias do Azuriz sobre o time aurinegro.

Não me arrisco a dizer que o time de Pato Branco foi perfeito no jogo de domingo, até porque tomou dois gols que não costuma sofrer, mas o time de certa forma criou dentro da própria partida uma “gordura” que permitiu esses erros. E isso é algo que o Cascavel não conseguiu fazer até agora na Série D.

A vitória mais tranquila da Serpente foi contra o Caxias, e ainda assim, foi sofrido. O ataque peca por não saber punir os erros adversários, o meio campo peca por não conseguir municiar os atacantes e a defesa peca pela fragilidade. O único “ponto fora da curva” é André Luiz, que tem salvado por diversas vezes o Cascavel.

As estatísticas tem de certa forma enganado o torcedor cascavelense, que já passou a não se apegar mais nos números e sim nos resultados, que não vem sendo bons. O risco de cair ainda na primeira fase é pequeno, mas é real.

Para o Azuriz, tranquilidade e liderança do grupo em um momento chave da competição, já que no segundo turno o time de Daitx terá mais confrontos fora do que em casa. Vai ser interessante ver como as coisas acontecem, mas fato é que o Azuriz já tem vaga praticamente assegurada para a próxima fase, e sem fazer muito esforço para isso…

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do site.

Bruno Rodrigo
Jornalista formado pela Univel. Repórter no Grupo Tarobá de Comunicação e co-fundador do De Prima PR.

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