Nada novo debaixo do sol

Foto: Daniel Malucelli/FC Cascavel

O confronto do último sábado foi um jogo de série D com cara de jogo da série D, quem esperava algo diferente não sabia bem do que se tratava a partida. Não se espera que nasça um melão de uma macieira, mesmo que o dono queira muito que isso aconteça, o mundo deve seguir seu ciclo natural e fazer tudo como sempre fez. No futebol é assim também, ao menos em grande parte do tempo. Claro, o que nos faz amar o futebol é sua imprevisibilidade, mas a tal imprevisibilidade é tão imprevisível que não acontece toda hora. Não é comum tirar leite de pedra em jogo de quarta divisão. Numa tarde quente de sábado o sol parecia interessado em demasia com os rumos do confronto entre Cascavel e Paraná, quis assistir o jogo de camarote sem dar descanso durante a primeira etapa, mas é importante lembrarmos que o sol sempre esteve lá em cima, antes mesmo de existir um estádio Olímpico, antes mesmo até da existência da cidade de Cascavel. Ele já viu muita coisa, e talvez por esse motivo no segundo tempo decidiu assistir ao jogo mais escondido, sem prestar muita atenção, afinal estava evidente, ao menos para um gigante milenar como ele, que nada de diferente sairia daquela partida, quantos jogos assim ele já não viu? Até mesmo nós que somos seres humanos a uma certa altura já tínhamos ideia de como terminaria aquele filme, estamos acostumados com as comédias românticas da sessão da tarde que sempre repetem final e dá para se dizer que sabemos identificar quando um filme vai seguir aquele roteiro pré-estabelecido pelos manuais.

É importante salientar que isso não quer dizer que os filmes da sessão da tarde sejam necessariamente ruins, O diário da Princesa é um exemplo, mesmo seguindo aquela estrutura de roteiro maçante de sempre. O jogo de sábado também não foi um jogo ruim mesmo sendo bastante previsível, foi um 0 a 0 surpreendentemente gostoso de se assistir.

O Cascavel sabendo da importância de vencer em casa não teve medo de atacar o adversário, propôs o jogo, foi agressivo e teve chances suficientes para sair de campo com uma vitória e consequentemente com a vantagem. O Paraná Clube entrou em campo cauteloso e sabendo do perigo de enfrentar um adversário que daria tudo pela vitória. O tricolor se armou ardilosamente, jogando fechado e apostando nos contra-ataques, foi perigoso jogando assim, o Cascavel novamente contou com a qualidade de André Luiz para impedir que um resultado adverso. Do outro lado, Felipe também estava inspirado e fechou a meta paranista, no único lance em que foi vencido, Rodrigo Alves perdeu um gol tão “feito” que o arbitro poderia ter pedido a bola e dado números finais ao jogo, estava claro que a bola não entraria. A bendita bola quis entrar, ela queria dar alguma alegria aos mortais que estavam no estádio, fosse do lado amarelo ou do lado tricolor, no fim das contas ninguém comemorou, a vontade da bola foi suplantada pelo poder das luvas, algo me diz que serão elas que decidirão este confronto.

A partida foi aquilo que se esperava dela: tensa e truncada. E claro, como uma arbitragem polêmica como foram várias outras partidas do Cascavel na série D e que como já sabemos é bem comum dentro futebol brasileiro. O aurinegro reclama de duas penalidades, e também teve Doka expulso já na parte final da partida. O árbitro parecia inseguro e até um tanto perdido, foi bastante conivente com a cera do adversário e deixou a desejar nos critérios, em momentos da partida deixava o jogo correr e em outros momentos apitava falta a cada contato entre os jogadores. Foi um jogo agradável, tenso e emocionante, nada diferente disso faria algum sentido, seguiu o roteiro que já estamos acostumados em um jogo de quarta divisão, não houve heróis e nem vilões, afinal eles estão reservados para o sábado que vem. Se o livro de Eclesiastes fosse escrito nos dias hoje, o autor com certeza estaria sentado no concreto do estádio Olímpico regional, bebendo água e observando aquela troca de passes sem objetivos que é comum no final das partidas, quando escreveu: Não há nada de novo debaixo do sol.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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