O introvertido

Foto: Carlos Chiosi/Cascavel

Se o Cascavel do professor Tcheco fosse uma pessoa, ela com certeza seria definida por seus amigos e colegas como: Básico. Sim, ele usaria uma camiseta sem estampa, uma calça jeans já um tanto gasta, meias escuras e um “all star” preto.

É o tipo de gente que passa despercebido em todos os lugares, é aquele colega de faculdade que te dá boa noite quando chega e tchau quando vai embora e você fica pensando “Por onde ele andou a noite inteira?”, mas de fato ele sempre esteve ali, no mesmo ambiente que você. Porém, a intenção dele é ser assim, ele não quer ser popular, não quer ser convidado para festas, enfim, não quer ser notado.

O grande ponto sobre o nosso amigo básico é justamente os objetivos dele. O que ele deseja? Se o que ele deseja é o que foi descrito acima, não há problema algum. Ser introvertido não tem nada de mal, pode ser visto com receio pelos extrovertidos, de fato nosso mundo é feito para eles. Não é fácil optar por ser assim, claro que há inúmeras situações em que ser introvertido não é bem uma opção (Seria o caso do Cascavel?).

O Cascavel prefere viver do básico, não se sente atraído pelos grandes espetáculos, se dá para passar de ano com um 6 não há motivos para se esforçar para tirar um 10, não é? O objetivo é bastante simples, os loucos que adoram qualquer tipo de reconhecimento que lutem para serem laureados ou para receber algum elogio aqui ou ali.

Pode ser que em um dia ou outro o introvertido acorde bem disposto e deseje ser visto, então ele coloca uma camiseta com estampa (geralmente de uma banda de heavy metal) e nesses raros momentos de inspiração ele até se diverte um pouco, mas no final do dia quando deita a cabeça no travesseiro percebe que não ganhou nada além do que havia ganhado em todos os outros dias, então ele pensa “Será que vale a pena?”. Bem, para ele não vale.

Você sendo um extrovertido pode não entender, seus objetivos e o que te motiva são muito diferentes daquilo que motiva o introvertido, não é fácil julgar sem conhece-lo de verdade, afinal ninguém se interessa por conhecer um introvertido, então a história dele é sempre contada do ponto de vista “do outro”.

Não estou aqui para julgar os pontos de vistas diferentes sobre o modo de viver a vida, o introvertido pode usar uma roupa básica por não ter nada muito melhor no guarda-roupa, pode ser também que ele tenha medo de não ficar bem com um look mais elaborado, ou quem sabe ele pode estar guardando o melhor para quando precisar. Ser extrovertido exige esforço mental e até mesmo físico, talvez o tal introvertido que aqui veste aurinegro tenha optado por guardar energia para os momentos em que isso será exigido dele.

Aproveitando o clima da semana das 500 milhas de Indianapolis é valido usar uma analogia para que se entenda o que pode estar passando na cabeça do nosso “piloto”: Não vale a pena pisar fundo nos treinos, correr riscos e acabar com o carro no muro. Se o carro chegar ao dia da corrida em condições, estará remendado e não será nem de longe o carro que você acelerou com gosto num treino onde um desempenho mediano já garantiria bons resultados.

O elenco do Cascavel se mostra curto, porém muito mais qualificado do que aquele que disputou o campeonato estadual. Vem fazendo o feijão com arroz (ou arroz com feijão, não quero entrar em polêmicas sobre esse tema), e por mais estranho que possa parecer para nós que estamos aqui do lado de fora, o time está cumprindo com perfeição cada milha do plano traçado pela comissão técnica, o objetivo é claramente terminar a fase de grupos com a primeira colocação, isso vem sendo conquistado até agora com certa tranquilidade.

O Cascavel do Tcheco é assim, joga atrás de objetivos bem estabelecidos e usa a força necessária para isso. O básico também dá resultado, mas às vezes pode ser um vilão, o torcedor ainda tem pesadelos com o confronto com o Cianorte na série D 2021.

O look básico pode ser básico demais quando tiver que enfrentar um clima adverso, o “all star” não protege os pés da chuva, a camiseta sem estampa e a calça jeans precisam ser acompanhadas de algo mais robusto para aguentar o frio, principalmente dos ventos gelados e cortantes que surgem na área coberta do estádio Olímpico Regional, e acertam com todas as forças o banco de reservas onde fica o professor.

Amanhã, contra o Azuriz, em um cenário um pouco mais adverso e valendo algo a mais, talvez seja a hora de vermos o introvertido dar sinais de que pode ser extrovertido quando necessário.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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