Pragmático e efetivo

Foto: Carlos Chiosi/Movimento e Foco

A tarde de sábado (14) no estádio Olímpico foi fria e cinzenta, o que com certeza foi um fator determinante para que, mesmo com a promoção ofertada pela diretoria, o público comparecesse timidamente ao estádio.

Havia alguma expectativa para o jogo, afinal era o confronto entre líder e vice líder do grupo A8, porém mesmo com a campanha, o aurinegro chegava ao jogo com alguma desconfiança do torcedor, que não tinha boas recordações da última partida em casa contra o São Luiz quando a vitória só chegou nos minutos finais com uma cabeçada certeira de Jacy.

Um dos temas da coletiva do treinador Tcheco foram as críticas e vaias do torcedor, que convenhamos pega bem pesado em alguns momentos. Para o jogo contra o Caxias o torcedor, e até mesmo o elenco, traziam na bagagem essa “pressão” por uma boa partida e por menos sofrimento, mas o adversário da vez parecia mais qualificado, além de ser um clube tradicional do futebol do sul era também o segundo colocado do grupo.

O Cascavel foi dominante da primeira etapa, a defesa gaúcha sofreu um bocado com o sistema de jogo com 3 zagueiros. O meio de campo e o ataque do adversário também tiveram inúmeras dificuldades para se encontrar na partida. O Aurinegro optou por marcar mais a frente, o que de fato causou muitos problemas na saída de bola do Caxias. O primeiro gol nasce exatamente de uma pressão exercida por Fabricio e Rodrigo Alves sobre o defensor do Caxias que teve despachar a bola de qualquer maneira.

Coube ao Gama interceptar a bola e passar para Robinho que, além de passar a bola para Lucas Batatinha, avançou para área em velocidade, gerando um conflito na marcação adversária e deixando o caminho livre para uma finalização de longa distância de Batatinha que abriu o marcador com um golaço.

Após o gol, o Caxias teve mais posse de bola, mas não conseguiu pressionar o Cascavel, os ataques se resumiam a cruzamentos ou finalizações que sequer chegaram ao gol defendido por André Luiz. De fato, os gaúchos ocupavam mais o campo ofensivo com 9 ou até 10 jogadores, porém a ousadia custou caro.

Depois de uma cobrança de escanteio na pequena área que parou nas mãos do goleiro cascavelense, sem pensar duas vezes André Luiz lançou a bola para Rodrigo Alves que sequer precisou pressionar o defensor adversário, Rodrigo se beneficiou de um erro de cabeceio do camisa 2 grená, com tranquilidade deixou Robinho cara a cara com o goleiro adversário e não deu outra: gol do Robinho, Cascavel 2 a 0. Assim terminou a primeira etapa, Cascavel vencendo tranquilamente e com o adversário sem reação.

O segundo tempo seguiu na mesma toada, com o Caxias deixando ainda mais espaços, porém o cenário mudou com as alterações, primeiro entrou Léo Itaperuna na vaga de Lucas Batatinha, minutos depois Giaretta e Libano substituíram Simões e Fabrício. Após essas trocas, o Cascavel de Tcheco recuou demais, em um dado momento, talvez inspirado pelo português Abel Ferreira do Palmeiras, a defesa formou uma linha com 6 jogadores, a diferença é que o Palmeiras jogava contra o campeão europeu, o que sabemos não era bem o caso do Cascavel na partida em questão…

Bem, daí em diante o jogo foi todo do Caxias que ficou com a bola, já que o Cascavel se recusava, como uma consequência normal dessa estratégia, o adversário passou a levar muito perigo, André Luiz novamente foi seguro e manteve o placar do lado gaúcho zerado. Como reconheceu o treinador na coletiva pós-jogo, a equipe falhou nos contra-ataques.

Mesmo com todo o espaço deixado pelo agressivo Caxias da segunda etapa, o Cascavel chegou com perigo somente duas vezes: Rodrigo Alves usou a velocidade e a técnica para passar pelo adversário, a finalização passou tão perto que alguns torcedores até gritaram gol. Depois, o estreante Cavani entrou em campo ovacionado pela torcida, se aproveitou de bate e rebate na área para mandar uma pancada que passou pertinho do travessão, com certeza seria a história do jogo se o gol tivesse saído.

O Caxias cansou, o Cascavel passou a desperdiçar inúmeras chances de contra-atacar e o jogo terminou com o resultado da primeira etapa. A transição ofensiva do Cascavel ainda é lenta, mas a velocidade e técnica dos dois atacantes atenua esse defeito, a defesa foi sólida e o time jogou quando quis jogar. O elenco é mais qualificado do que o vimos no estadual, os jogadores são mais decisivos e isso se reflete nos momentos de dificuldade do jogo, o time não se abate com tanta facilidade e consegue lidar com a pressão adversária e da própria torcida.

As lesões exigiram algumas improvisações que não deram certo, o treinador ainda tentou organizar a bagunça com as duas últimas alterações (Cavani e Eduardo no lugar de Rodrigo Alves e Gama), mas o time terminou o jogo como um “Frankenstein”, não dava para compreender muito facilmente as funções dos atletas que entraram no decorrer da partida.

Tcheco é pragmático e pensa o jogo dessa mesma forma, o Cascavel joga com objetivos bem definidos, em casa procura intimidar o adversário e ser agressivo no ataque, quando é visitante procura não sofrer defensivamente, tenta minar a confiança e por consequência o ímpeto ofensivo do mandante, o empate de fato não é mal visto pelo treinador nessa situação.

Tendo em vista tal mentalidade e pensando da mesma forma a campanha do Cascavel é perfeita até então, lidera o grupo com 4 pontos de vantagem sobre o vice líder e 6 sobre o primeiro fora da zona de classificação para a segunda fase. Ainda não perdeu na competição e vem fazendo o dever de casa.

As críticas devem existir, de fato alguns problemas continuam e em dados momentos o time parece optar por não jogar mais e apenas esperar o fim do jogo. É preciso ter em mente também que é um time de quarta divisão, jogando um campeonato truncado e difícil como é a série D, a campanha até então é perfeita e isso também deve ser reconhecido. A equipe é constante e pragmática, como deseja o treinador e isso não deve mudar.

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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