Todo mundo pronto?

Foto: Daniel Malucelli/FC Cascavel

Dia 22 de fevereiro é a data que não sai da cabeça do torcedor aurinegro desde o dia 02 do mesmo mês quando foi definido o dia da estreia na copa do Brasil. Já a Ponte Preta que será o adversário no bendito dia 22 está rondando os pensamentos da torcida desde 17 de janeiro quando foi feito o sorteio que definiu os confrontos da primeira fase.

Há quem pense que apenas os atletas se preparam exaustivamente para jogos desse calibre, porém isso não é verdade, o torcedor também vive dias de tensão há semanas por conta dos grandes jogos. O torcedor não dorme, quando dorme sonha com o jogo, tudo nos últimos dias se resumiu a estreia na copa. O jogo contra o Azuriz foi insosso, sem graça, um verdadeiro suplício de futebol, mas a verdade é que pouco importa, todos os holofotes estão no estádio Olímpico Regional.

Será a verdadeira estreia aurinegra na competição, o que aconteceu ano passado foi um teste, um filme… Dias memoráveis não podem acontecer na penumbra, seu primeiro dia na escola não seria a mesma coisa se não houvesse outros alunos por lá, se somente você e sua professora partilhassem daquele dia, a graça está na interação, no barulho, na bagunça. Por isso fazemos festa para tudo, para noivar, para casar, para se formar, para comemorar o início de um novo ano ou de uma nova idade.

Tudo é festa e é graças a ela que as coisas ficam tão memoráveis, seja pelo êxtase de estar entre amigos ou por puxar assunto com uma pessoa aleatória na fila do banheiro. São coisas comuns que se tornaram estranhas e até mesmo repulsivas nos últimos anos, o futebol tornou-se silencioso e um produto de televisão como uma novela, você espectador não pode interagir com uma novela e da mesma forma não podia interagir com uma partida de futebol que mesmo acontecendo no quintal da nossa casa parecia algo distante.

A arquibancada de concreto duro que em dia de jogo se torna tão confortável quanto o sofá da sala permanecia vazia, abandonada, sem vibração, sem nossas cores… A melhor definição está em um verso da canção Cobra de Vidro da banda paulista Vespas Mandarinas: “Sobre o cimento, sobre o cimento nem um som ou movimento, só o silêncio, só o silêncio…” Nossa casa, como todos os outros estádios no mundo, estava dessa forma, triste, vazia e sepulcral. E assim permaneceu por quase todo o ano de 2020 e estendeu-se por boa parte do ano de 2021.

O futebol tornou-se um refúgio dos problemas gigantes que nos cercavam, da morte agressiva e sufocante que nos rondava, o futebol mesmo ali na televisão era onde ainda nos sentíamos humanos, era como uma lembrança de uma civilização muito antiga, talvez até antiquada. Voltamos ao estádio em 13 de outubro para a final do campeonato paranaense que em tudo mais pareceu uma competição de futebol amador, jogo em um horário desumano para os atletas e para o público, no estádio para os 5 mil malucos que se desdobraram para assistir a grande final faltou até água. O sol das 15h20 maltratou os torcedores que além de sofrer debaixo de sol e ficar sem água desde o fim do primeiro tempo ainda teve que sair sem a sonhada taça. Porém, saiu com a esperança de tão logo voltar para casa.

Cada dia após aquela final tornaram-se anos, janeiro parecia relutar em chegar, quando chegou fomos surpreendidos por um W.O, sim, o jogo que voltaríamos para casa em condições quase normais simplesmente não aconteceu. Agora estamos novamente acomodados e chegou o momento de dar uma festa, mas no futebol além dos convidados, há sempre um infiltrado, um inimigo que é tão indispensável para a festa quanto um vilão o é para um filme de super-heróis.

O inimigo vem cambaleando, na última festa que participou foi surrado por um rival impiedoso, e agora cheio de fúria quer ter o prazer de estragar o dia de alguém, que não seja o nosso. Chegou a hora de estrearmos na copa, vamos representar o nosso estado, conquistamos esse direito, ano passado vencemos o Figueirense na estreia, mas não festejamos da forma correta, agora é o grande momento.

Todos fomos convocados para estar lá, nesse momento único, o Futebol Clube Cascavel com apenas 14 anos estará frente a frente com Ponte Preta que já beira os 122. Dia 22 de fevereiro deve ser considerado o dia do torcedor aurinegro, é o dia de jogar uma competição nacional, dia de mostrar nossa cidade e nossa região para o Brasil.

Que o torcedor cascavelense saiba aproveitar cada minuto desse dia, que agora sim, será um dia memorável, que o torcedor saiba prestigiar o esporte e a conquista do clube, depois de tanto tempo distante do estádio fica cada vez mais claro que o futebol é mais que ganhar ou perder. fazer parte da festa, estar ali ao lado do seu clube é o que interessa, partilhar a emoção com amigos e “colegas de time” é o que torna o futebol apaixonante. Enfim, a pergunta que fica é: todo mundo pronto?

Caio Guilherme
Estudante de jornalismo e dono perfil @portalfcc no Twitter.

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